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Relacionamento

Caiu em armadilha das redes sociais e pegou 30 anos de cadeia

As Redes sociais escondem armadilhas que podem destruir sua vida de várias maneiras. Saiba como se proteger dessas ciladas, nesse artigo.

Redes sociais. Um boato revoltou a população brasileira em abril de 2014. Uma postagem no Facebook atribuiu um crime uma pessoa. Segundo o autor da publicação, ela sequestrava crianças para usá-las em rituais de magia negra. E o que é pior. Publicou a falsa notícia com a foto de uma mulher, muito parecida com a dona de casa Fabiane Maria de Jesus. Indignada, a população do Guarujá decidiu fazer justiça com as próprias mãos.

Fabiane foi linchada no dia 03 de maio daquele ano. Dias depois, ela não resistiu aos ferimentos e morreu. A verdade foi descoberta após o linchamento. Ela era mãe de duas filhas e jamais sequestrou criança alguma, nem participava de rituais de magia negra. Foi mais uma, entre várias vítimas de boatos nas redes sociais.

O ataque foi todo filmado via celular, o que possibilitou o reconhecimento de vários autores do crime. No dia 5 de outubro de 2016, um dos agressores identificados foi a julgamento. Lucas Rogério Fabrício Lopes foi condenado a 30 anos de cadeia por sua participação no crime, considerado homicídio triplamente qualificado.

As histórias de Fabiane e Lucas tiveram final trágico. Isso, graças ao poder das redes sociais de gerar raiva e sentimentos de vingança. A psicologia explica que o ódio tem poder magnético de reunir as pessoas para destruir um inimigo comum. O motivo é muito simples. Diante de uma mesma ameaça, as pessoas tendem a se unir para combatê-la.

Se você se preocupa com a qualidade dos conteúdos que compartilha nas mídias sociais, chegou ao lugar certo. Este artigo vai lhe mostrar como as redes sociais foram concebidas e o que fazer para identificar uma postagem falsa. Ao final dele, você será capaz de se proteger das armadilhas que destruíram as vidas dessas duas personagens.

Entenda o mecanismo das redes sociais

As redes sociais criaram um fenômeno curioso: o compartilhamento indiscriminado de postagens que as pessoas julgam interessantes e importante divulgar. O problema é que elas se esquecem de verificar se tais informações são procedentes e de fato precisam ser compartilhadas. O resultado disso é que uma onda assustadora de postagens fictícias, ou fakes, ganhou espaço na internet. Assim, elas:

  • Confundem o usuário;
  • Difundem boatos e notícias falsas;
  • Permitem que a bandidagem desvie a atenção pública e das autoridades para atuarem sem qualquer constrangimento.

Elas são programas sociais virtuais. Foram criadas com o objetivo de conectar as pessoas e organizações para partilhar valores e objetivos comuns, via web. Fábio Duarte e Klaus Frei destacam, em seu livro Redes urbanas, a possibilidade de se estabelecer relacionamentos horizontais, que dispensam a hierarquia entre as pessoas.

Para mim, este seria o motivo de tamanha adesão a elas, principalmente no Brasil. Qualquer indivíduo pode noticiar um fato ocorrido no mundo real via WhatsApp, mesmo sem ser alguma autoridade ou da impressa. Da mesma forma, as opiniões pessoais são ouvidas por uma gama inimaginável de pessoas. Tudo é feito sem que por isso, o indivíduo sinta medo de passar vergonha. Falar mal de terceiros e acusar o outro de crimes é muito mais fácil via internet. Nela, aparentemente tais atos são impessoais e o autor está distante das testemunhas.

O físico e educador ambiental australiano, Fritjof Capra, é citado no livro O tempo das redes de Fábio Duarte. Seu pensamento diz que os limites das redes sociais são muito mais de identidade do que de separação. Por isso mesmo eles são mutantes e renegociados permanentemente. Uma observação que confirma o que vem ocorrendo no Brasil, desde o segundo semestre de 2013. Desde então, muita gente cria inimizade por causa de divergências ideológicas.

A viralização nas redes sociais

A psicóloga clínica, Suzana Cabral, destaca que estamos inseridos em uma sociedade narcísica. Ela acredita que a aparição nas redes sociais seja uma forma de opinar perante o outro e ganhar destaque social. Além disso, as pessoas não aprofundam nos temas que compartilham, nem analisam as possíveis consequências para a vida social. Segundo Cabral, esta é uma das causas da abundância de notícias falsas que lotam as redes sociais. O mesmo vale para postagens de cunho mobilizatório, que infernizam o usuário.

Suzana Cabral alerta ainda que um dos efeitos das redes sociais é a criação da sociedade do espetáculo. Nela, o importante é estar em cena, o que seria um potencializador da vaidade, um dos sete pecados capitais. Em função dessa afirmação, a possibilidade de manutenção de situações indesejáveis para a população acaba sendo enorme. Um bom exemplo é a viralização de postagens, que mesmo desatualizadas confundem a opinião pública sobre fatos do poder.

Posts circulam no WhatsApp desde setembro de 2014 como se fossem notícias do dia. Esses são sempre finalizados com uma espécie de atribuição de culpa ao autor para o caso de ser falso, que diz assim: recebi de outro grupo e estou repassando só para alertar.

Compartilhamentos indiscriminados e dependência

A psicóloga Marina Teles destaca que o mecanismo de repassar postagens nas redes sociais é o mesmo do vício em drogas. “Esse processo de compartilhar tudo o que recebe, é vicioso, pois passa pelas mesmas estruturas mentais da dependência química”, alerta. Ela explica que intimamente, o desejo é se acreditar capaz de agir para mudar o mundo e ajudar o próximo. Contudo, o sujeito esbarra nas suas próprias limitações. Marina Teles é  especialista em dependência à internet.

Teles evidencia o fato de que vivemos na era da impaciência. Nela, o indivíduo se recusa a vivenciar todo o processo de cura de suas angústias. Por esse motivo, ele acaba tentando caminhos alternativos. Um deles é a projeção do seu sofrimento nos outros com a intenção de ser útil e ajudar. Entretanto, não resolve suas próprias questões, nem as das outras pessoas. E tudo isso, sem contar que os fatos se desenrolam todos, em ambiente virtual.

Redes sociais esbarram na lei

Outro aspecto que precisa ser observado pela sociedade é a questão legal. As redes sociais acabam por dar a sensação de que tudo que é postado e compartilhado é anônimo. Isso cria a sensação da ausência de punição.

O advogado especialista em propriedade intelectual, Hildebrando Pontes Neto, explica que não é bem assim. De acordo com ele, a dificuldade de identificar os autores de postagens ofensivas ou mentirosas não impede o ilícito. Sendo assim, as punições são reais e possíveis.  Ele esclarece que o anonimato é o maior impecílio para a atuação da Justiça, em crimes cometidos via internet. Contudo, não inviabiliza a possibilidade de localização do autor da calúnia ou divulgação de boatos e sua denúncia à justiça.

Hildebrando Pontes alerta ainda que a responsabilidade por postagens fakes é do autor e da pessoa que compartilha o material. “A legislação hoje dificulta em muito o processo de localização do autor. Mas se o ofendido decidir investigar e provar a autoria, todos acabam respondendo pela  participação no crime”, adverte.

De acordo com ele, se há a necessidade do ofendido deslindar o caso, é possível rastrear a fonte da postagem. Contudo, para que tenha validade, é necessário que haja prova de que o material ofensivo é verdadeiro. E isso pode ser feito em cartório, que tem autoridade de verificar a autenticidade da página em questão e autenticá-la.

Em suma, as dificuldades legais acabam por incentivar este tipo de ação do público em geral. A crença na impunidade tira o medo de compartilhar material que ofende a honra e a integridade das pessoas. Essa é uma das razões que fortalecem o tráfego de boatos, ofensas e tudo quanto é leviandade nas redes sociais. Há inclusive o ridículo de divulgar uma notícia velha, como se houvesse ocorrido naquele instante.

Muito ajuda quem não atrapalha

Você pode estar até imaginando que sou contra as redes sociais, mas sou totalmente a favor. O inconveniente é que onde há a gente envolvida, está a possibilidade de surgir problema. Tudo por conta da variedade de percepções e de caráter. Quem compartilha alertas de roubos, acidentes, ações de bandidos e assuntos similares tem somente a intenção de ajudar os outros. É como se passassem pela calçada e vendo uma casca de banana, a empurra para o cantinho. O intuito é que ninguém mais corra o risco de cair e machucar.

Entretanto, a diferença entre transitar na calçada e nas redes sociais é gritante. No mundo real, você vê a casca da fruta e tem a possibilidade de empurra-la para um canto. Já no virtual, o mesmo não ocorre. E o motivo é muito claro. Você nunca sabe a real procedência de tais postagens, que geralmente são fictícias e muitas vezes intencionalmente criminosas.

Notícias de mortes de artistas consagrados e celebridades facilmente geram comoção nas pessoas. Por conta disso, existem centenas de sites especializados em fabricar estes boatos como se fossem verdade. Em 2016, mataram dezenas de famosos. O caso mais interessante foi o da atriz  Laura Cardoso que teria morrido no final de janeiro do ano passado. Fui checar o link, do site que divulgava o óbito, e constatei a fralde com facilidade. O resultado foi a atriz passar todo o dia dando entrevistas para desmentir o boato.

Também são inúmeros posts que pedem ajuda para localizar alguém desaparecido, que na realidade não desapareceu. Na mesma linha, há o assassinato de reputações para destruir a vida de desafetos com acusações falsas.

redes sociais - como resistir

Como deixar de ser escravo das redes sociais

O pior de tudo isso, a meu ver, é que todos esses despautérios são cometidos por pessoas sérias. É tudo compartilhado por gente que muitas vezes conhecemos e convivemos no cotidiano. Para se livrar desse tipo de situação, Marina Teles aponta a autoanálise e às vezes até o acompanhamento especializado. De acordo com ela, hábitos como a leitura, criam filtros que protegem da maldade alheia.

Uma receita do tempo da minha avó é muito eficiente para esse tipo de fato. Tenha sempre serenidade e cautela. É preciso analisar os conteúdos, por mais atrativos que sejam. Todo mundo diz que o político A ou o B é ladrão. Não é porque dizem que passa a ser verdade e acusar sem provas é crime previsto em lei.

Teles destaca ainda que sentimos uma necessidade imensa em resolver as demandas. Por isso, o indivíduo fica agoniado enquanto não zera as notificações do WhatsApp ou do Facebook. Daí, muitas vezes as mensagens são lidas superficialmente, gerando respostas razas ou compartilhamentos indiscriminados. A psicóloga chama atenção para o fato de que mesmo querendo ser útil, essas atitudes são um efeito placebo. Elas dão a falsa sensação de dever cumprido, mas não solucionam o problema. Este continua atormentando, assim como a angústia inicial.

Controlar o impulso de compartilhar tudo o tempo todo é possível. Diante de algo que se identifica com o seu pensamento ou desejo, analise se é de fato algo relevante. Observe no link da postagem se é de origem duvidosa ou não. Sites de grandes veículos de comunicação, por mais tendenciosos que sejam, não costumam divulgar boatos. Além disso, preste bem atenção na data da postagem. Muita gente compartilha manchetes impactantes que ocorreram há mais de seis meses, não se confirmaram e continuam circulando nas redes sociais como se fossem verdades.

Conclusão

Nesse artigo, você pode constatar que as redes sociais têm suas armadilhas. Teve informações de casos reais que provam que pessoas têm as vidas destruídas em função dessas ciladas.

Os especialistas entrevistados deixaram claro que o compartilhamento indiscriminado é um problema que deve ser evitado. A situação está tão séria que até Google e Facebook estão em campanha para inibir a publicação de postagens falsas.

E, do ponto de vista jurídico, você foi avisado que os crimes cometidos na internet estão sujeitos à punição, apesar de parecerem anônimos. 

Finalizando, saiba que, se por um lado a justiça tem enorme dificuldade de processar e prender figurões, o mesmo não ocorre com o cidadão comum. Tem muita gente presa por pequenos roubos e furtos, enquanto grandes inimigos da sociedade gozam até de privilégios. Tudo porque têm como pagar as melhores bancas de advogados. A vida é muito dura para quem anda por aí, cometendo atos desavisados e a corda sempre arrebenta para o lado mais fraco.

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Até o próximo!

Fontes:

http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2016/10/acusado-de-linchar-dona-de-casa-apos-boato-na-web-e-condenado-30-anos.html

https://pt.wikipedia.org/wiki/Rede_social

Entrevistas com:

Hildebrando Pontes Neto – Advogado

Marina Teles – Psicóloga

Suzana Cabral – Psicóloga

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Zilda de Assis

Sobre o autor | Website

Zilda de Assis é jornalista e gestora de pessoas. Autora dos ebooks: Já que relacionamentos perfeitos não existem, torne-os saudáveis, O que é autossabotagem e Manual dos relacionamentos saudáveis.

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