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Desenvolvimento pessoal

Suicídio, ameaça fantasma que mata quase um milhão por ano

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Setembro Amarelo luta contra o suicídio. (Foto: internet/reprodução)

Suicídio – “Há uma semana perdi minha alma gêmea e meus filhos perderam seu herói – seu pai. Tivemos uma vida de conto de fadas e agora ela se transformou em uma tragédia de Shakespeare. Como faço para seguir em frente? Como faço para recolher minha alma despedaçada?”. Este foi o pronunciamento de Talinda Bennington, viúva de Chester Bennington. O vocalista da banda Linkin Park foi encontrado morto no último dia 20 de julho, enforcado em sua residência.

O suicídio precisa ser tratado com a devida gravidade. Ele é tabu na sociedade que mal fala a respeito. Entretanto, jovens, adultos, idosos e até crianças estão expostos ao autoextermínio. Ele não se importa com posição social. Ameaça todas as camadas da população.

A situação é tão grave, que de acordo com o Ministério da Saúde, 32 brasileiros se matam por dia. Esse número é maior do que as mortes por vítimas da AIDS e alguns tipos de câncer. Quando analisado em nível mundial, a Organização Mundial da Saúde (OMS) assusta. Segundo dados, mortes por suicídio ao ano são 25% maiores que as por homicídios, guerras e desastres naturais.

Neste artigo, você vai obter informações importantes sobre como lidar com esse assunto. Você vai ler opinião de profissionais de saúde e também refletir em torno de tema tão indigesto.

Suicidar não implica em apenas tirar a própria vida, ele reflete em toda a sociedade. Ao final da leitura, você saberá como agir para afastar essa ameaça da sua vida e das pessoas que ama.

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Solidariedade é um dos principais pontos de combate ao suicídio. (Foto: internet/reprodução)

Setembro amarelo alerta: suicídio é caso de saúde pública

A campanha Setembro Amarelo surgiu em 2014 aqui no Brasil. A iniciativa é do Centro de Valorização da Vida (CVV), Conselho Federal de Medicina (CFM) e Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Ela está vinculada à causa que tem em 10 de setembro, o Dia Mundial de Prevenção. Inicialmente, a campanha iluminava prédios públicos em algumas cidades do Brasil de amarelo para chamar a atenção para a causa. Nos anos seguintes, o movimento ganhou novas atividades como caminhadas, palestras, panfletagens para a conscientização contra a ideia de suicídio.

O amarelo da campanha tem um significado. Da mesma forma que o rosa de outubro e o azul de novembro que lutam contra os cânceres de mama e próstata, respectivamente.

Amarelo é a cor do sol, da alegria, calor, luz, descontração. Nada mais apropriado para apoiar àquelas pessoas que andam desencantadas da vida.

É preciso ter um cuidado especial com esse tema, pois ele é fruto de dores da alma. O indivíduo que desenvolve um câncer acaba sendo envolvido em carinho e apoio de familiares e amigos. O suicida, em potencial, muitas vezes não é nem percebido. E é essa invisibilidade que o leva a imaginar que seus problemas e sua dor são irremediáveis. E isso lhes tira a razão de viver.

De acordo com as autoridades de saúde, 9 entre cada 10 casos de autoextermínio poderiam ser evitados se fossem tratados.

Porque o suicídio é tabu para a sociedade

Mesmo sendo tabu, o suicídio é um tema que requer estudo e cuidado, pois envolve questões delicadas e profundamente individualizadas. Entretanto, há um perfil preponderante que me leva a tocar neste assunto, neste período em que a OMS destaca o combate dessa prática.

O suicídio não é apenas um ato indigesto, é também uma palavra difícil de digerir. Hoje, é uma situação de muita gravidade e que exige um maior envolvimento da sociedade para que perca fôlego, principalmente entre os jovens.

O tabu começou em 1897, com a publicação do livro Suicídio do filósofo francês David Émile Durkheim. O estudioso realizou uma pesquisa, homônima, onde concluiu que o tirar a própria vida é um fato social. Resumindo o trabalho de Durkheim, se matar resulta de uma crise moral da sociedade, a partir de três perfis psicológicos. O egoísta, que só pensa em si mesmo; o altruísta que se mata pelo bem da sociedade; e a anomia que é a perda de padrão social de vida.

A partir da pesquisa de David Durkheim, ficou convencionado que os casos de suicídio deveriam ser excluídos dos obituários. A intenção era a de que quanto menos se falar no assunto, menos chances de outras pessoas se sentirem encorajadas a seguir o exemplo.

Hoje, tal conclusão continua mais atual do que nunca. O problema é que não tocar no assunto tem sido incapaz de reduzir os casos, que só aumentam. Portanto, ele deve estar fora dos noticiários, mas presente em estudos de caso e na busca das causas e maneiras de evita-lo.

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Suicídio do vocalista do Linkin Park levou à preocupação com o combate à depressão, como prevenção. (Foto: internet/reprodução)

Como o suicídio tem afetando tanto os jovens

A psiquiatra Sílvia da Matta é enfática ao proferir que todo suicida tem uma fragilidade emocional ou uma pré-disposição psíquica. De acordo com ela, uma pessoa saudável, do ponto de vista emocional, não tem pensamentos de suicídio.

Especialista em psiquiatria infantil e da adolescência, ela cita doenças como a depressão, transtorno bipolar, abuso de drogas e traumas. Elas seriam as principais causas do autoextermínio.

Segundo a médica, o pensamento suicida está intimamente ligado a transtornos mentais. Por isso, a família e o meio social precisam estar atentos para questões comportamentais. A boa notícia é que a maior parte deles tem tratamento e com grandes chances de sucesso.

Uma preocupação da médica é que existem gatilhos que podem levar crianças e jovens a pensamentos de autoextermínio. Entre eles estão abusos, bullying, maus tratos, assédio moral. “Há uma incompatibilidade dessa faixa etária com pensamentos de morte, em função de se haver uma perspectiva de futuro”, comenta.

Ela acrescenta que é preciso estar atento a mudanças de comportamento e humor, nas pessoas de maneira geral. Segundo a médica, crianças e adolescentes expostos a abusos são mais propensos a desenvolver transtornos emocionais. E são esses transtornos que levam ao pensamento suicida.

Um dos maiores problemas para o combate ao suicídio é que o sofrimento que leva a essa ideia é invisível aos outros. Além disso, tem o fator preconceito. Se tratar com psiquiatra é tido como coisa de doido. Por isso, há uma grande resistência nas pessoas e famílias em iniciar a terapêutica. 

Matta destaca que a doença mental é solitária, o que contribui para que o socorro, muitas vezes nem chegue. Para ela, a melhor forma de combater a tendência à autodestruição é falar claramente sobre o assunto. “Somente assim, é possível identificar o sofrimento e oferecer ajuda”, assegura.

O que leva quase 1 milhão se pessoas ao suicídio

A psicóloga, Renata Peconick, destaca que há no momento atual uma forte dificuldade em lidar com perdas e frustrações. “A meu ver a pessoa que quer se matar quer se livrar de problemas, que não se sente capaz de resolver”, explica. Ela cita problemas emocionais como excesso de ansiedade, culpa, medo, baixa tolerância ao fracasso e depressão.

Os dados da campanha Setembro Amarelo de 2017 apontam um alto índice de casos entre os jovens, com tendência a aumento nessa faixa etária. Mesmo assim, Peconick destaca que o suicídio não tem preferências. “Infelizmente, não existe um público alvo específico para o autoextermínio. Jovens, idosos, ricos, pobres, crianças, todos estão expostos a fatores que podem leva-los, a querer se matar”, lamenta.

A psicóloga explica que atualmente há uma baixa capacidade de lidar com as emoções, principalmente as negativas. Além disso, fatores externos como a competitividade e a pressão social levam o indivíduo a episódios de depressão.

Renata Peconick destaca que a sociedade hoje está menos disposta a lidar com contrariedades, principalmente com o não. Segundo ela, além disso, o imediatismo tem feito com que as pessoas exijam resultados instantâneos. “Daí, acredita-se que é possível ter tudo sem passar pelo processo de conquista, sem esforço. Isso gera irritação, frustração e muitas vezes até vergonha do fracasso e culpa”, explica.

Um fator importante, destacado pela psicóloga, é a vivência do trauma. Seja físico ou emocional, cada indivíduo o enfrenta de maneira única. Por isso, é necessário o acolhimento no meio onde a pessoa convive.

O que fazer para evitar o suicídio

No caso de jovens, que têm sido o público mais atingido pelo suicídio, nos últimos anos, as profissionais são muito claras, quanto à prevenção. É preciso tocar no assunto, questionar e acompanhar o dia a dia deles. Na maior parte dos casos, o suicida dá sinais de que pretende tirar a própria vida.

Mudanças repentinas de humor e comportamento precisam ser investigadas. É preciso também, quebrar o estigma de que transtornos mentais e emocionais são coisas de gente anormal ou louca.

Peconick destaca que é absolutamente normal a pessoa passar por episódios de tristeza, raiva, medo, angústia. Esses processos, segundo ela, são impossíveis de não serem vivenciados em algum momento da vida. O problema é quando se tornam frequentes ou habituais.

O autoconhecimento é fundamental para que um indivíduo se torne mental e emocionalmente equilibrado. É preciso conhecer os próprios processos comportamentais para ter noção se você está ou não vivendo um problema que possa tirar sua vontade de viver.

Outro fator de suma importância no combate ao suicídio é o gerenciamento da emoção. As pessoas precisam aprender a ser resilientes e a lidar com perdas, frustrações e decepções.

O psiquiatra Augusto Cury aborda muito bem o assunto no livro Gestão da Emoção. O médico indica atitudes e atividades para que o cérebro se mantenha saudável diante das pressões do mundo contemporâneo.

Ele destaca o altruísmo, o pensar antes de reagir e a empatia como mecanismos que protegem a emoção. Cury adverte que bombardear a mente com ansiedade, preocupação em excesso com a pressão social esgotam a capacidade cerebral.

Conclusão

Você leu nesse artigo que o suicídio se tornou um problema de saúde pública mundial. Por isso, o Brasil entra em campanha desde 2014 no mês de setembro, para combater esse mal.

Aqui você pode constatar que ele é um ato indicativo de transtornos mentais e emocionais e mais. Segundo a OMS, 90% dos casos podem ser evitados, se tratados com a devida atenção.

É preciso estar atento, pois, quando o assunto é suicídio, não há um público alvo específico. Qualquer pessoa pode ter pensamentos de autodestruição e todas podem e devem ser amparadas.

Finalizando, é fundamental que cada indivíduo busque formas de se libertar das exigências da vida moderna. Atividades físicas, meditação, boa alimentação e gratidão são ações simples que ajudam o organismo a se recuperar do estresse.

Para evitar o suicídio, o primeiro passo é valorizar a vida. O segundo é aprender a lidar com os autos e baixos que são inerentes à jornada sobre a terra.

Você pode fazer muito para reduzir a ocorrência de suicídios. Ouvir o outro, acolher a dor dele com respeito e tratamento digno. Leve essas informações para os seus amigos para que a corrente do bem do Setembro Amarelo fique cada vez mais forte. Compartilhe este artigo. Ajude outras pessoas a valorizarem a vida.

Até o próximo!

Fontes:

https://g1.globo.com/musica/noticia/chester-bennington-do-linkin-park-teve-funeral-privado-na-california.ghtml

http://www.filosofandoodiaadia.com/2017/05/o-suicidio-e-o-tabu-em-nossa-sociedade.html

http://www.gazetadocerrado.com.br/2017/01/23/casos-de-suicidios-ultrapassam-numero-de-vitimas-de-homicidio-e-desastres-naturais/

https://getpocket.com/a/read/1886682226

https://getpocket.com/a/read/1887913275

Entrevistas com:

Renata Peconick – psicóloga

Sílvia da Matta – psiquiatra

Livro:

Cury. Augusto – Gestão da emoção: técnicas de coaching emocional para gerenciar a ansiedade, melhorar o desempenho pessoal e profissional e conquistar uma mente livre e criativa – São Paulo : Saraiva – 2015

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Zilda de Assis

Sobre o autor | Website

Zilda de Assis é jornalista e gestora de pessoas. Autora dos ebooks: Já que relacionamentos perfeitos não existem, torne-os saudáveis, O que é autossabotagem e Manual dos relacionamentos saudáveis.

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